O TRIANGULO E A MAÇONARIA

“Triângulo – poligono que tem três ângulos e três lados.”

Esta definição do dicionário (no caso presente da 6.º edição do Dicionário da Língua Portuguesa de J. Almeida Costa e A. Sampaio e Melo, publicado em 1967 pela Porto Editora) esconde, por detrás da sua simplicidade aparente, toda uma significação, toda uma simbologia, que através das idades, dos séculos e das civilizações, o Homem nunca ignorou e sempre soube respeitar, consciente ou inconscientemente.

O simbolismo do triângulo cruza se com o do número Três. E Três é universalmente um número fundamental que exprime urna ordem intelectual e espiritual, em Deus, no Cosmos e no Homem.

Três, dizem os Chineses, é um numero perfeito (tch’eng), a expressao da totalidade, do todo acabado. O caracter chinês tsi, antigamente representado por um triângulo, exprime a noção de união e de harmonia.

Na generalidade das culturas e das civilizações, a apreensão e a compreensão do homem sobre o mundo, sobre o real e o espiritual, sempre repousou num sistema triádico.

O Budismo possui a sua expressão acabada no Triratna (Bouddha. Dharma, Sangha).

Para os indus, a Manifestação Divina é tripla (Trimûrti): Brahma, Vishnu, Çiva, aspectos produtor, conservador e transformador.
Na tradiçao persa, o numero Três aparece frequentemente dotado de um carâcter mágico religioso. É de realçar jà a presença deste algarismo na religião do Antigo Irão, cuja tripla divisa é Bom Pensamento, Boa Palavra, Boa Acção.

O numero Três liga-se igualmete ao rito das flechas divinatórias (azlâm), característico dos povos árabes anteriores ao Islão: a terceira flecha designava o local, o tesouro, o eleito, etc.

Na tradição dos Fiéis da Verdade (Ahl i Haqq), no Irão, atribui se ao número Três um carâcter sagrado. Podemos encontrâ lo muito frequentemente nas narrativas de cosmogonia e na descrição de actos rituais.

A Kabala multiplicou as especulações sobre os números, mas parece, no entanto, ter privilegiado a Lei do Ternário. Tudo procede necessariamente por Três que constituem, contudo, um todo uno. Em todo o acto, uno em si mesmo, distinguem se assim:

  1. 0 princípio de acção, causa ou sujeito da acção
  2. A acção desse sujeito, o seu verbo
  3. 0 objecto dessa acção, o seu efeito ou o seu resultado

Estes três termos são inseparáveis e necessitam se reciprocamente. Donde a tri unidade que reencontramos em todas as coisas. Por exemplo, a criação implica um criador, o acto de criar e a criatura. Ou ainda, como escreve Garaudy (1977) “L’amour n’existe pas sans l’amant et sans l’aimé”.

Sao três as virtudes teologais; três são os elementos da Grande Obra Alquímica o enxofre, o mercúrio e o sal.
Três designa também os nivéis da vida humana: material, racional e espiritual ou divino. São ainda três as fases da evolução mística: purgativa, iluminativa, unitiva.

Muitos dos conceitos da tradição judaíco crista repousam também em sistemas triádicos:

A religião católica professa o dogma da Santíssima Trindade, introduzindo no monoteísmo mais absoluto um princípio misterioso de relações.

A nossa interpretação do Mundo, o nosso olhar sobre a vida, sao regidos por triades:

Três é, por excelência, um número maçónico (juntamente com cinco e sete):

Enfim, Três é o número pelo meio do qual o binário é devolvido à unidade.

O ternário exprime se por diversos símbolos gráficos: o tridente, a trinacria (triplo peixe com uma so cabeça) e, mais simplesmente, o triângulo.

Simplicidade.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *