GOSP e GLMERJ

Por Jair Fonseca:

O cenário da Maçonaria brasileira tem testemunhado movimentos de profunda maturidade institucional e fortalecimento dos laços de fraternidade. Entre esses marcos, a aproximação entre o Grande Oriente de São Paulo (GOSP) e a Grande Loja Maçônica do Estado do Rio de Janeiro (GLMERJ) destaca-se como um dos capítulos mais significativos da história recente das Potências Maçônicas no eixo RJ-SP.

Mais do que um mero alinhamento administrativo, essa aproximação representa a convergência de ideais em prol do fortalecimento do Simbolismo e da soberania das Potências estaduais.

Para compreender a magnitude dessa aproximação, é preciso olhar para a trajetória das duas instituições:

Fundado em 1921, o Grande Oriente de São Paulo historicamente despontou como a maior potência estadual do país. Em 2018, o GOSP tomou a decisão histórica de se desfazer de sua ligação federativa com o Grande Oriente do Brasil (GOB), tornando-se uma Potência Maçônica independente, autônoma e soberana.

Fundada em 1927 a GLMERJ e ligada à confederação das Grandes Lojas (CMSB), a GLMERJ carrega a tradição da regularidade internacional e o reconhecimento da Grande Loja Unida da Inglaterra (GLUI), sendo o baluarte do Simbolismo em solo fluminense.

A construção de um diálogo direto entre o GOSP (uma potência que se tornou independente) e a GLMERJ (uma Grande Loja tradicional) quebra antigas barreiras paradigmáticas que por décadas dividiram o Grande Oriente e as Grandes Lojas no Brasil.

O estreitamento de relações e a assinatura de tratados de amizade e reconhecimento mútuo entre essas potências baseiam-se em três pilares fundamentais:

1. Intervisitação e Universalidade

A aproximação garante que os obreiros regulares de ambas as Potências possam frequentar os trabalhos arquitetônicos mútuos. Um Mestre Maçom de São Paulo (GOSP) encontra as portas abertas nas Oficinas do Rio de Janeiro (GLMERJ) e vice-versa, consolidando o princípio de que a Maçonaria é uma só, independentemente de sua estrutura de governo.

2. Fortalecimento Institucional

O eixo econômico e cultural Rio-São Paulo ganha um reflexo institucional maçônico robusto. Juntas, as duas Potências somam milhares de obreiros e centenas de Lojas atuantes, o que amplia o impacto social das ações filantrópicas e de desenvolvimento moral promovidos pelas instituições.

3. Respeito à Prática dos Ritos

Tanto o GOSP quanto a GLMERJ abrigam em suas Oficinas uma rica diversidade de práticas ritualísticas, como o Rito Escocês Antigo e Aceito, o Rito York, o Rito Moderno e o Rito Adonhiramita. 

A aproximação preserva a soberania de cada corpo e incentiva o intercâmbio de estudos filosóficos sobre essas tradições.

“A verdadeira Maçonaria não conhece fronteiras geopolíticas ou divisões cartoriais. Quando duas grandes Potências se reconhecem, o Esquadro e o Compasso encontram seu ponto de equilíbrio perfeito.”

Esse movimento sinaliza para as novas gerações de maçons que o futuro da Ordem reside na diplomacia, no respeito mútuo e na superação de cisões do passado. Ao estenderem as mãos, o GOSP e a GLMERJ não apenas fortalecem seus próprios quadros, mas servem de farol para que outras Potências no território nacional busquem a unidade dentro da diversidade.

O legado dessa aproximação é a certeza de que a busca pela verdade e pelo aperfeiçoamento da humanidade caminha de forma muito mais firme quando os passos são dados em conjunto.

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