LANDMARK 

A palavra origina-se do inglês. LAND: terra, país, terreno ou território, MARK: marco, sinal, mancha. Em inglês define-se LANDMARK como lugar conhecido, ou marco de território. Em português diríamos marca de terreno, estaca, baliza, lindeiro, marco lindeiro, limite territorial. Desde que o homem se tornou civilizado, passou a criar regras de boa conduta que, sendo aceitas e seguidas pela maioria, permitiam o desenvolvimento da sociedade. Com o surgimento dos primeiros camponeses, criou-se a necessidade de demarcar as terras, de forma a identificar a fração do terreno a que cada um tinha direito. Naquela ocasião, convencionou-se a utilização de marcos de pedra que indicavam os limites do terreno, e estes passaram a ser chamados de marcos de terra ou “landmarks”. Para que esta demarcação fosse eficaz, os marcos não podiam ser movidos nem removidos, pois se isto ocorresse, seriam violados os direitos dos camponeses. Como havia um consenso sobre isto, os landmarks passaram a ser considerados pela sociedade como invioláveis e inalteráveis. A Maçonaria, como sempre, volta ao passado em busca de símbolos e alegorias de grande significado, para transmitir seus ensinamentos, e assim fez, adotando o termo “landmarks” para descrever algo que não poderia ser violado de forma alguma: Um conjunto de regras fundamentais de conduta que deveriam ser seguidas por qualquer associação de homens com a pretensão de atuar como Maçonaria. A idéia dos landmarks, como tantas outras, provavelmente veio da Bíblia, visto que, a partir do momento em que os ingleses se afastaram do domínio religioso de Roma, as Sagradas Escrituras se tornaram o livro de cabeceira daquele povo. De fato, vários versículos da Bíblia referem-se a marcos e limites: • Jó, XXIV, 2: “Há os que mudam os marcos dos limites e apascentam rebanhos que eles roubaram” • Provérbios, XXII, 28: “Não mude de lugar os antigos marcos que limitam as propriedades, que foram colocados por seus antepassados” • Deuteronômio, XXVII, 17: “Maldito quem mudar o marco de divisa da propriedade do seu próximo” Semelhante ato era considerado pela lei judaica como crime gravíssimo, punido com penas severas. E tinha forte razão para que assim fosse. Se alguém removesse esses marcos não se tinha outro guia para reconhecer os limites das propriedades. Por essa razão, tal ato era considerado um crime entre os mais horríveis. Como se sabe, o costume de utilizar pedras para marcos ainda não caiu em desuso. Muitas delas são encontradas na interseção de grandes rodovias, assinalando as várias direções, enquanto outras indicam as distâncias de uma cidade a outra. Para os Maçons que adotam os Landmarks, esta palavra tem o mesmo sentido que na Bíblia; isto é, expressa a idéia de um grande rochedo inamovível. Representa para eles história, tradição, lei, regulamento, rito, costume, sistema, prerrogativa, direito, algo fundamental que vem de tempos imemoriais. Como se sabe, o costume de utilizar pedras para marcos ainda não caiu em desuso. Historicamente, a palavra Landmark apareceu pela primeira vez na Moderna Maçonaria quando fora feita a compilação dos Regulamentos Gerais em 1721 para a Primeira Grande Loja em Londres e Westminster. Esses pontos acabariam sendo mais tarde incluídos na Constituição de Anderson de 1723. Nela, o 39º e último dos regulamentos determina que “Cada Grande Loja anualmente tem o poder de modificar esse Regulamento ou redigir um novo em benefício da Fraternidade, desde que sejam mantidos invariáveis os antigos Landmarks…”. Vale a pena destacar que na Assembleia Geral da Primeira Grande Loja, ocorrida em 25/11/1723, o termo Landmark fora substituído elo vocábulo Rule, ou Regra, como consta já da 2ª Constituição redigida em 1738. Nessa conjuntura é possível concluir que “Regras” não têm a mesma conotação de “Landmarks”, pois as Regras são escritas e podem ser alteradas, já os Landmarks (imemoriais, espontâneos e universalmente aceitos) possuem caráter de cláusula pétrea. Isto é, são imutáveis porque surgiram espontaneamente e se firmaram nas tradições, usos e costumes da Francomaçonaria. Considerando que os Landmarks permaneceriam como fatores que regulam a atividade e o comportamento ético dos maçons, eles então acabariam dissertados e classificados por volta dos meados do século XIX. A partir daí muitas classificações de Landmarks viriam aparecer, embora muitas delas não passassem de regras e normativas e até mesmo recomendações. Em maior ou menor número, as classificações passaram a ser questionadas se de fato eram puros Landmarks ou eram apenas “regras” consagradas nas Constituições e Regulamentos das Obediências maçônicas. A bem da verdade, a grande maioria dessas classificações lindeiras acabou não resistindo uma análise mais crítica, pois boa parte delas não possuem o caráter de antigos e verdadeiros limites universais da Ordem (Landmarks). Um preceito básico que revela a autenticidade de um Landmark é a de que ele deve ser imemorial, espontâneo e universalmente aceito. Nessa circunstância, ser imemorial significa que um lindeiro (limite) deve ter antiguidade suficiente para que não se possa estabelecer no tempo a sua origem. Ser espontâneo, significa que um verdadeiro Landmark não tem autor. Deve ter sido gerado pelo seu simples uso em uma comunidade ou corporação. Por fim, um Landmark deve ser universalmente aceito, isto é, não deve pertencer apenas a uma determinada comunidade ou corporação maçônica, porém de aceitação global. Dentre as dezenas de classificações existentes, é viável conhecermos quatro dos principais autores e mais conhecidos: a de Mackey, a de Findel, a de Pike e a de Pound. Porem neste artigo iremos tratar apenas dos de Mackey. As classificações de Mackey. Com 25 Landmarks segue a sua descrição e análise: 1º Landmark – Métodos de Reconhecimento. Não representa um verdadeiro Landmark porque os atuais métodos não são singulares entre os ritos maçônicos, podendo ser encontrados modificados conforme os rituais. Apesar de trazerem em comum algumas referências operativas, não se pode afirmar que nos tempos do ofício eles eram exatamente como são conhecidos na atualidade (no período operativo essas práticas eram transmitidas apenas oralmente – não há registro). 2º Landmark – Divisão em Três Graus. Não é um verdadeiro Landmark. A Maçonaria primitiva só possuía duas classes de operários e não graus especulativos. Os graus simbólicos somente seriam estabelecidos a partir da existência da Primeira Grande Loja. O Grau de Mestre Maçom, inclusive, só apareceria oficialmente na Segunda Constituição Inglesa, a de 1738. 3º Landmark – Lenda do 3º Grau. Não é um verdadeiro Landmark. A Lenda do 3º Grau somente passa a existir com o nascimento do Grau de Mestre que fora criado em 1725 e estabelecido na Segunda Constituição em 1738. Pela primeira vez a Lenda Hirâmica aparece em 1730 na revelação The Masonry Dissected de Samuel Prichard. Alguns autores a consideram como um Landmark moderno, contudo há divergências entre as vertentes latinas. Não possui caráter de imemorabilidade. É uma “regra”. 4º Landmark – Governo da Fraternidade por um Grão-Mestre. Não se caracteriza como um Landmark. A figura do Grão-Mestre somente aparece em 1717 quando da fundação da Primeira Grande Loja em Londres e Westminster. Nela, o Gentleman Ir∴ Anthony Sayer foi o primeiro Grão-Mestre eleito. Ele era um Companheiro Maçom porque ainda não havia o 3º Grau – portanto não é imemorial e nem espontâneo. 5º Landmark – Prerrogativa do Grão-Mestre de dirigir os trabalhos nas Lojas. Não é um Landmark. O cargo de Grão-Mestre apareceria somente em 1717 pelo advento da fundação da Primeira Grande Loja – não é imemorial 6º Landmark – Prerrogativa do Gão-Mestre de outorgar dispensa de prazo para a concessão de graus. Não pode se classificado como Landmark. Não é imemorial e nem espontâneo. Tem data de aparecimento e é um dos fatores que inaugura a Moderna Maçonaria. É uma regra 7º Landmark – Prerrogativa do Grão-Mestre de conceder dispensas para abrir e manter novas Lojas. Não é Landmark. Idem ao nº 6 acima. É uma regra. Nos tempos primitivos não existia a figura do Grão-Mestre 8º Landmark – Prerrogativa do Grão-Mestre de iniciar maçons com dispensa de cerimônias. Não é um Landmark, é uma regra. Igualmente, nos tempos primitivos da Ordem não existia a figura do Grão-Mestre. 9º Landmark – A obrigação dos maçons se reunirem em Loja. É um Landmark porque possui antiguidade. É imemorial, espontâneo e universalmente aceito. A Maçonaria primitiva se reunia em Lojas (alojamentos e oficinas de trabalhos). 10º Landmark – Governo da Loja por um Venerável e dois Vigilantes. É um Landmark. Idem ao 9º. Espontâneo, Imemorial e Universalmente Aceito. O Mestre não era grau especulativo, mas um Companheiro experimentado escolhido entre os profissionais. Era designado como Mestre da Obra, sendo sempre auxiliado por dois Wardens, mais tarde denominados Vigilantes. 11º Landmark – Obrigação de velar para que a Loja esteja coberta. É um Landmark. O costume de cobertura é recomendável desde os tempos operativos. Desde o sigilo do ofício. O segredo profissional. Origens do caráter iniciático da Fraternidade. 12º Landmark – O direito representativo do Obreiro nas Assembleias Gerais. Regras da Moderna Maçonaria. Não é landmark. É uma regra da Moderna Maçonaria. 13º Landmark – O direito de recorrer à Grande Loja das decisões da Loja – Não é um Landmark, mas uma regra da Moderna Maçonaria. 14º Landmark – O direito de visitação. Não é um Landmark. No período operativo, por conta do sigilo aplicado negócios e à profissão, cada Guilda de pedreiros cuidava dos segredos que envolviam os planos para desenvolver a obra. Por conta disso, não havia costume de visitação como ocorre entre as atuais Lojas especulativas. 15º Landmark – O telhamento dos visitantes. Não é um Landmark. Reconhecimento e exames para visitantes passam a ocorrer somente a partir do período especulativo. No período do ofício, por conta do segredo e sigilo profissional, não existia visitação. Não havendo visitantes, não há telhamento para visitantes. 16º Landmark – A proibição de uma Loja interferir nos assuntos de outra e de conferir graus aos membros desta. Não é Landmark. Essas são regras das Obediências que pertencem à Moderna Maçonaria. 17º Landmark – Sujeição do Maçom às leis e regulamentos da jurisdição onde reside, mesmo que não seja membro de alguma Loja. É uma regra criada por Mackey. Não é um Landmark, por não se caracterizar como imemorial e espontâneo. 18º Landmark – A exigência que o candidato seja homem, não mutilado, livre de nascimento e maior de idade. É um Landmark porque é espontâneo, imemorial e universalmente aceito pelas Obediências maçônicas regulares. Tradições, usos e costumes hauridos do período operativo da Francomaçonaria. As condições profissionais da época exigiam a higidez física. 19º Landmark – A crença em Deus. É um Landmark porque possui raízes profundas na história das organizações de ofício medievais que foram ancestrais da Moderna Maçonaria. A Francomaçonaria floresceu sob a proteção da Igreja Católica. Na Moderna Maçonaria exige-se a crença em um Ente Supremo que, de modo conciliatório é denominado o G∴ A∴ D∴ U∴. 20º Landmark – A crença da imortalidade da alma. É um Landmark e se relaciona com o 19º Landmark. 21º Landmark – A presença das Sagradas Escrituras em todas as Lojas. Não pode ser classificado como Landmark, ou pelo menos é discutível, porque o uso da Bíblia não era presença física obrigatória nas velhas Lojas Operativas, assim como também nas primeiras especulativas. No período operativo, um volume da Bíblia não era comumente encontrado como nos dias atuais. A obrigatoriedade do seu uso nas Lojas somente foi admitida a partir de 1740 com uma resolução da Primeira Grande Loja. Antes disso pode se dizer que o uso da bíblia era facultativo. Graças a isso é que a 1ª Constituição Inglesa é omissa nesse particular. Cabe lembrar que na Maçonaria de Ofício a Loja era o recinto de trabalho profissional (canteiro de obras das antigas igrejas e catedrais). Não existiam lojas especulativas decoradas. Era um espaço imenso onde se desenvolviam os trabalhos da construção. 22º Landmark – A igualdade entre os maçons. Embora até possa ser atualmente contestado devido a existência de cargos e graus, o que parece tolher a igualdade irrestrita, mesmo assim é um Landmark, pois a sua existência entre os primeiros maçons especulativos é imemorial e universalmente aceita. No período operativo a igualdade é uma questão controvertida e merece uma analise acurada. 23º Landmark – O sigilo. É um Landmark por ser uma conduta universalmente aceita. Já nos tempos primitivos guardava-se debaixo de sigilo os planos e projetos da obra (segurança profissional). Atualmente o sigilo permanece porque os trabalhos maçônicos são cobertos de olhos e ouvidos de não iniciados, assim como entre os graus iniciáticos, por exemplo. O sigilo possui uma relação intima com o segredo haurido da profissão e posteriormente dos meios de reconhecimento. 24º Landmark – O estabelecimento de uma ciência especulativa sobre uma arte operativa e o uso de um simbolismo, notadamente tirado do Templo de Salomão, berço simbólico da Franco-Maçonaria. Não é um Landmark, mas uma recomendação e observação de Mackey. A Lenda do 3º Grau, que acompanha o grau de Mestre como uma chave da grande iniciação, bem como o instrumental simbólico e decorativo, atualmente é construído conforme os ritos especulativos que compõe a Moderna Maçonaria. De objetivo único, sem dúvida, os métodos iniciáticos se diferem em alguns pontos entre eles, o que dá para cada rito um ritual diferenciado do outro. 25º Landmark – A inalterabilidade dos Landmarks precedentes; como são recebidos devem ser transmitidos à posteridade. Não é um Landmark. A inalterabilidade é uma regra criada pelo próprio autor da classificação, cujo objetivo talvez fosse o de preservar o seu trabalho de compilação. 

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